domingo, 15 de setembro de 2013

Guts. Brains, and Mechanical Torque.

   Eu me mexo Sob as cobertas macias e aquecidas e abro os olhos para a escuridão que me envolve. As negras silhuetas que formam o meu quarto me observam, curiosas. Os pés quentes pedem pelo toque do chão frio. Eu miro o vazio teto azul enegrecido enquanto decido o que fazer.
   O corpo pede por alento, pede por descanso; descanso pelo dia de subir e descer,e ir,e vir,e tarefas,e sapos,e risos. A mente, por outro lado, flui. Ou melhor, gira. Gira como a turbina de um reator,Como os mil e tantos cavalos furiosos de um motor, a 3000 rpm. Ela pulsa. Numa desordem caótica, alimentada pela força frenética de mil pensamentos acotovelando-se por todos os lados dentro do imenso espaço contido entre as diminutas órbitas do meu crânio. Quanto barulho! Mil águias peleando entre si, urrando para se fazerem ouvir. Metal que flui, e rui, e vibra e pulsa e plange. Loucamente, rotando de dentro pra fora.Num vibrar tão intenso que se torna insuportável.
   Desisto.Levanto. E sob os protestos do resto do meu corpo, e o efeito da dopadrenalina descarregada pelo cérebro;como que numa espécie de suborno, eu me apresso em escrever esta merda desordenada enquanto o sol nasce sob a minha janela. Um dia longo se vai, e outro se vem. Eu sento sob a janela e  aprecio o meu pulsar repentino, ao som do vibrar metálico da velha geladeira marrom-ferrugem que trabalha solitária na cozinha, acompanhada pelo toque implacável do velho relógio de parede, que tanto já me aprisionou dentro das vinte e quatro mediocridades da rotina.
   Hoje, foi diferente.Hoje, por míseros sete minutos ou menos, eu abri asas. E caí. Hoje, eu esparramei/cuspi/jorrei/gozei minhas entranhas(ou miolos)(os quais eu quase não lembrava mais que tinha) num pedaço de papel(ainda que de pobre maneira).Hoje, eu pulsei. Hoje, eu vivi. Hoje, eu voei.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Wendigo



   "E amando-nos, eles nos consomem.por carícias exigidas, eles nos devoram.Por aqueles beijos buscados com aquelas bocas secas, e nodosas como cascas de velhos carvalhos, eles nos drenam as forças; pois eles têm fome, e nos exigem que os alimentemos."
   "E por pequenos gestos, que nos invadem aos poucos.E sem sermos percebidos,eles nos grilam a vontade. Não havia fogo, não havia aquela vontade louca, o perder do ar ao vê-los, não havia o ardor que se há e que deveria haver, mas também não era de todo ruim. então, permitimo-nos(que grande erro minha criança)."
   "E ao que no fim, terminamos secos, quebrados. Pois o nosso comodismo nos adormece, e permitimos que aqueles que não amamos com todo o coração se instalem dentro de nós, mas no lugar errado. não há amor nas vísceras, e o coração não deixa entrar esse tipo de ser, que exige o cuidado de outros, já que não é hábil para suprir a si..."

sábado, 29 de junho de 2013

You And I

damn, i want to go out, laugh loud, listen the sounds of the glasses, drink, drink so much, kiss somebody,delight with the music, but i'm here, im home, imprisioned...

sábado, 20 de abril de 2013

brings us close


Às vezes que queria saber por que eu ainda me lembro dela. Por que tão insistentemente dela. Queria saber por que dentre todas as outras só ela me vem tão frequentemente à cabeça. Mesmo que não mais de um jeito triste ou doloroso, mas ainda assim vindo. Queria saber o que aquela filha da puta tinha de tão especial pra se enterrar tão fundo assim no meu cérebro.Aquele jeito estranho e desengonçado, ela nem combinava comigo. Ela parecia um menino, ela me deixava cheirando a fumaça, ela era irritantemente subjetiva, ela me levava pro centro a pé pra fotografar, ela via beleza nos mínimos pontos de uma cidade cinza e podre. Ela dançava sem precisar de música, ela gostava de coisas que eu não conhecia, ela disse que eu ficava bem de xadrez. Ela ficava com as bochechas coradas. Ela sorria com a boca e com os olhos por trás daqueles óculos escuros nos domingos de manhã, com aqueles olhos de concha marinha que eu nunca vi igual, de um jeito que a gente achava que não ia ver uma coisa tão linda nunca mais na vida. Ela encostava a cabeça no meu ombro enquanto nós estávamos andando de um jeito que quase fazia nós dois cairmos abaixo; de um jeito que fazia a gente querer pegar ela no colo ali mesmo na rua, e não soltar nunca mais. Ela me chamava de lulis. E só tem ela no mundo que pode ser assim.
   Acho que não tem como a gente explicar esse tipo de coisa mesmo. Acho agora que não precisa também.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Felicidade gratuita


Me despedir.
E dos cheiros e vinhos, e cigarros, e taças a tinir, me afastar.
E dos boleros, e passos, das risadas, e piadas, lembrar.
Portas e mais portas, abrir.
E para uma noite ao teu lado, de incerto rumo, partir.
E luzes de postes e reflexos estranhos nos vidros, a passar.
Em casa (minha ou tua, não sei. Que seja nossa), chegar.
E ao teu lado, de mãos dadas, entrar.
 E ainda de mãos dadas, mas atrás de ti, para ver o movimento de quadris sob as sedas  do vestido.
Às escadas, subir.
Na beirada da Cama, sentar.
 E os sapatos apertados, sentindo vir o prazer gratuito contido nesses pequenos momentos, tirar.
Teu copo nu, apreciar.
E a doce maciez da tua boca, sorver.
E as álgidas curvas do teu corpo, tocar.
Teu ser e tua alma sem par, através dos olhos, percorrer.
E deitar sobre ti, e amar.
E sentir-te os dedos no leve toque às minhas costas, num fino limiar entre a dor e o prazer.
Gozar.
E o relaxar dos músculos, e o som entrecortado do nosso respirar conjunto, beber.
E juntos, trançados e entrelaçados, de corpos ainda conectados, teus olhos, mirar.
E de persona removida, olhar teus olhos frente aos meus, tua alma contemplar.
E dizer: como eu te amo.
E ouvir: como é bom te ter.
E depois das mais belas horas juntos, ainda entrelaçado entre os teus quentes braços, finalmente,
Dormir.

Sonhar...

sábado, 9 de março de 2013

Que sabe você das almas das outras pessoas - de suas tentações, de suas oportunidades, suas lutas?


E eis que olhando os velhos escritos, que eu vejo os meus atos falhos, e me rio deles, por que na minha dor, eu me recuso a ouvir a voz que esperava encontrar enquanto gritava. Eu me afogava e não conseguia ajuda por causa do meu “me debater” desesperado. E todas as marcas, riscas e manchas na minha lustrosa (ou assim eu achava) armadura, eram feitas por minhas próprias lâminas. Eu me punha em armas e me acovardava em segredo. Eu pulava do penhasco, e ao invés de abrir os braços, eu me fechava (e me borrava) de medo, mas era orgulhoso de mais para admitir(diga sempre a verdade, mesmo quando estiver sozinho) Homens cobardes. Paciência, e puxar de orelhas, por favor.

sábado, 17 de novembro de 2012

"E eis que o homem, é por definição..."

...Incompleto. "Pois o homem nasceu com um vazio no coração. Um vazio que nenhuma posse, poder ou conhecimento pode preencher." É isso que o faz sempre triste, e é isso que o faz querer sempre(algo a) mais.É o vazio. Mas não se trata do vazio. se trata do que não é. Que é aquilo lhe falta. E pelo lhe falta, quer tudo que se há para ter, e tem tudo que há para querer, menos aquilo que realmente precisa.O que o preencheria de verdade. E tentando sair do vazio, acaba voltando para ele, mesmo sem perceber. De dentro para fora, e de volta para dentro. Passa a vida procurando o que nunca tinha perdido, mas que no fim das contas, perdeu; por que procurou a vida inteira.
E na falta disto que perdemos, vamos tentando nos preencher com aquilo que achamos pelo caminho. coisas que nem cumprem esta função, e que nos cegam para aquilo que achávamos faltar, mas que estava lá o tempo todo. Só que éramos cegos, e não percebíamos que estava.
 ....E sempre tentamos preencher este vazio, mas  nos recusamos a reconhecer que é o vazio que nos preenche, e que não importa o que façamos, ou com o que o enchamos, ele continua a não ser outra coisa, senão vazio.
...Falamos que o sentimento vem do coração, mas é na boca do estômago(ali, dois dedinhos abaixo da junção as costelas) que sentimos o buraco negro da tristeza e da ansiedade, o explodir cósmico do gozo e da alegria, e a nebulosa ácida da raiva e do medo. A alma do homem não habita dentro dele, e sim fora. Por dentro, temos um fragmento do universo no qual nos encontramos contidos.E que em sua maior parte, não é outra coisa, senão vazio. Quando aceitarmos isso, quando aprendermos a olhar para dentro de nós, ao invés de desesperadamente procurar pelo que há por fora, não teremos mais um vazio. Pois nós seremos o vazio. não seremos mais a parte, e sim o todo. E voltaremos em paz para o vazio de onde fomos uma fez gerados, e que por medo que temos(pobres crianças), fomos separados.


      ...Escrito no meu caderno de cálculo 1, numa noite à qual eu não tenho lembrança alguma, além de acordar no meio da noite totalmente sem sono, escrever e voltar a dormir.