sexta-feira, 20 de abril de 2018

Carnalismo



No rastro do teu caminhar 


No ar onde de você passar 


O seu perfume inebriante


Perdurando um instante ao outro inteiro evitar


Me abraça e me faz calor 


Segredos de liquidificador
 

Um ser humano o meu amor 


De músculos de carne e osso 


Pele e cor...










domingo, 18 de junho de 2017

Lacerate

E o dia passava rápido, como o bater de asas de uma andorinha. Passava rápido, pois ela também estava pensando rápido. Andando rápido, Comendo rápido, Bebendo rápido (Mais rápido que o fígado podia processar), dançando rápido. Ela vivia rápido na esperança de que sua vida pudesse passar mais rápido, para que ela não precisasse mais passar a vida com essa guarda levantada. Alerta a todos os momentos, pronta para se defender das pequenas coisas do dia a dia, que guardavam as lembranças que lhe pegavam de assalto, e rasgavam-lhe pedaços da carne-coração.
   A pista de Dança estava a mil, numa avalanche desordenada de sensações sinestésicas que eram batidas no cérebro pela vodka que vinha do estômago. Ela lutava bravamente para manter a cabeça entretida. Deixava-se levar sozinha pelo ditar mecânico da música enquanto a mente vazia contrastava o corpo cheio de tudo que ela não queria. Sentia algo faltando ali. Algo errado, algo estranho, como um membro faltante. Um fantasma que a agarrava de curva em curva pelo braço para endireitar-lhe os passos. Irritava-se. Não era para isso que estava ali.
   O carro arrancou assim que ela passou pela porta de entrada deixando-a sozinha no saguão, tentando acertar a chave na fechadura. Ela entrou no apartamento escuro sem acender as luzes. Nada que havia ali valia a pena ser observado. Passou pelos cômodos envoltos em sombras. Despiu-se, e enfrentou o jato de água quente enquanto olhava inexpressivamente para a parede à frente, esperando que ao menos hoje, as coisas fossem diferentes.
   Ao menos hoje, quando levantasse, ela não passaria os primeiros 15 minutos do dia sentindo falta de algo que ela não sabia exatamente o que era (ou sabia). Ao menos hoje, ela não queria acordar sozinha, e sentir aquele vácuo odioso no meio da caixa torácica que fazia parecer que o coração havia sumido. Ao menos hoje, ela não queria  sentir a ausência de algo quente que ocupava o espaço entre os braços dela durante o banho. Ao menos hoje, ela não queria deitar a cabeça no travesseiro no final do dia e agarrar o próprio corpo entre os braços, sentindo que deveria ter algo mais ali com ela. Algo que não estaria ali nunca mais.
   Ao menos hoje, ela não queria sentir que tão pouco tempo atrás (mesmo que parecesse ter sido numa vida passada) ela não era apenas ela. Ela era parte de alguém, e aquele alguém era parte dela, mas agora aquela parte lhe fora arrancada. E as sombras infestaram o buraco que ficara apodrecendo o dia dela com memórias de uma vida que não lhe pertencia mais.

   Então por fim, ela regou o travesseiro com as lágrimas habituais, arrancadas à unha entranhada na carne. Pois a dor física era um consolo singelo, que aliviava um pouco a dor tão maior, da mente que lhe dilacerava por saber que um dia ela amou, e perdeu.

domingo, 29 de novembro de 2015

Atlas

... E ele desceu o peso sobre as minhas costas. O primeiro reflexo foi o de morte. Senti aquele mundo de gravidade esmagando as minhas fibras e envergando meu corpo para baixo. E veio o medo. Eu olhei para o chão escuro pela sombra do fardo sobre mim, enquanto o suor escorria em lágrimas através da minha face. Meus braços tremiam, com o ácido lático digerindo-os por dentro enquanto a minha face ia cada vez mais de encontro à terra escura sob as minhas sandálias. O medo tomava face naquele chão. O medo que esmagava mais do que a bola de pedra e metal que envergava a minha coluna. "Não vou conseguir" penso eu. As escolhas são claras. Ou solto a carga, ou caio esmagado. Vencido. Partido. As pernas fraquejam. Tremem, bambas como gravetos de bambu, prontos a se quebrarem. O coração pulsa, nervosamente lutando para bombear o ar que não chega a tempo nos pulmões.o ar ausente dá lugar ao pesar crescente de me ver soterrado. O joelho toca a terra áspera e grossa. Paro, em pânico. O medo no meu estômago é como uma larva cheia de espinhos, e os meus ouvidos falham diante do desespero. Não ouço nada. Nem um som.
   Fecho os olhos. “vou morrer," penso eu. É o fim agora. E no meio daquele vazio eu ouço a voz no meu ouvido. A voz do velho e suas lições há tanto esquecidas.  
   "O mundo não é suave, rapazes. Então eu os estou ensinando a também não o ser". Dizia ele enquanto  corríamos até a exaustão sob o sol quente de primavera. EM verdade eu vos digo, é no momento de maior fraqueza que a verdadeira força se revela. O fundo do poço é o lugar mais claro do mundo. Pois no meio da escuridão, o único lugar para olhar(e seguir) é  para cima. Quando tudo o mais falhar, quando vós achares que a vossa força estiver no fim. Lembrai-vos do que for que vos move. Daquilo que realmente amam. Pois a força não vem dos músculos. A força vem Do criador. Vem da nossa mente, e nossa conexão com ele. Nas horas escuras, Tende fé em quem sois e no que fazeis. Lembrais e encontrareis forças onde antes havia fraqueza. Encontrareis força que nem sabias que tinham, Pois a fé é o que mantém o homem de pé, mais do que os ossos sob a pele.
     SABEI QUE PODES, E PODEREIS!

   Eu olho para o chão escuro, e vejo o sangue claro escorrer do joelho esmagado. Dói, mas agora, eu havia conseguido um bom apoio. De mente limpa, as coisas se tornam simples. Soltar ou ser esmagado. Penso eu.  Livre da dúvida, porém, eu sinto algo em mim. Algo maior que o peso, algo maior que a dor. Vou ficar com a terceira opção. As pernas ardem, gritam, queimam, mas queimam firmes. As costas arqueadas dobram, quase até o limite. Mas não quebram. Os braços fumegantes se erguem quase esmagados, mas não são. E do fundo do poço, eu olho pra cima, e me ergo,e ergo todo o peso e a dúvida, agora  tão menores do que eu. Eu me torno o bastião Diante do qual quebram-se milhares de guerreiros. eu me torno a luz para afastar as trevas. Eu levanto aquilo que iria me esmagar!

                                                                                                     PORQUE EU POSSO FAZER!



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Cordel

  OS olhos. Tudo começa pelos olhos. O choque de dois pares se sóis, a contemplar-se. Plenos castanhos espelhados um no outro, a bailarem na transmissão de pensamentos. Mergulhar entre os poços tintos e profundos, que nos tragam fundo adentro. E sentir o calor e vividez pulsante, que silenciosamente nos grita: vem.
  E puxar, e empurrar. E ser puxado e empurrado. E pressionar, e ser pressionado. E ver, tocar, ouvir, cheirar, sentir. E ser visto, e tocado, e ouvido, e cheirado. Ser sentido. E ser tudo rubro. E róseo. E cóbreo. E tinto. Dançar pelas paredes, e sentir a alma através da carne. Soltar as mãos, e atravessar as camadas. As vestes. O pelo. A pele. A carne. Cravar as unhas e sentir o rubro ocre correr pelas garras. Pelos dedos, pelas costas, Pela língua. E aspirar o ar lotado de sussurros e gemidos, e aquecer-se entre a pele pálida, mas ainda assim tão cálida. E já nem saber mais o que se é e o que não.



   Deitar-se para o lado. Na ausência lânguida de movimento, entorpecidos. Olhar os olhos, cansados. E entregar-se ao abraço lento. E ao ditar do respirar profundo. Sentir os olhos, que se olham; mesmo sob as pálpebras fechadas. E as almas, que se agarram, por medo de se desgarrar, enquanto os corpos, exauridos e mal acabados, jazem largados, na imensidão do quarto vazio. Ouvir o som. Do ar pesado, entrando arrastado, pelo nariz arrebitado, do rosto de cada um.

Cair no sono. Para sonhar acordado, sentir-se extasiado. Por que se ama, e se é amado. Por esta que está ao meu lado, com desejo sentimento e vontade. Segue o amor entalhado, no coração de cada um.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A adivinha

   O interior da tenda era rubro e escuro, repleto com vapores e fumaças que saíam do braseiro, Trazendo-me à memória várias lembranças de eventos passados. Deixando a minha cabeça leve, e um tanto sonolenta. O rosto dela estava coberto por um manto carmesim com franjas douradas, Mostrando apenas os profundos olhos cor de ametista, que brilhavam intensamente mesmo sob a luz fraca. As mãos pálidas estavam cruzadas sobre a mesa, cobertas de anéis e tatuagens pontilhadas, revelando muito pouco da pele fina e macia que as formava.
   -Veio saber sobre o seu destino, criança? A voz dela era doce, mas se arrastava pesadamente nas palavras, como o canto de um pássaro velho. atrasado pela idade.
-Depende, disse eu. –O que eu verei?
-Eu não arriscaria um palpite. Alguns acreditam que o destino é como uma trama, onde o fio da sina de um se entrelaça entre as sinas de muitos, e cada um se puxa e se estica, tecendo o rumo do mundo. Outros, o vêem como uma tempestade de areia, onde os grãos são levados sem vontade pelo vento, esbarrando-se ao bel prazer desse guia caótico que nos leva a todos. Eu diria que o destino age de ambas as formas, e de muitas outras. O modo como ele age não é algo que entendemos, nem que mereçamos entender. Mas eu creio que não seja essa a questão a se responder.
-E qual seria a questão então? O riso dela revelou descaso.

-Veja bem. Reis, mendigos, guerreiros, sacerdotes, não importa quem sejam. Nenhum de nós é diferente para o pai tempo. Somos todos apenas uma pequena fração do destino. Nossas vidas passam no bater de asas de uma mariposa. Somos breves, curtos, efêmeros. Mas mesmo nesse bater de assas, mesmo o menor dos homens pode mudar o destino de muitos. Nada é certo com o futuro, nada é válido para o passado. Mas uma pequena pedra que rola do topo da montanha provoca uma avalanche aterradora na sua base. A pergunta não é o fim do caminho, nem o seu começo, nem mesmo o porquê de se caminhar de fato. Essas são perguntas que não possuem resposta. A pergunta de fato, criança. É pelo que vale a pena caminhar.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Raindrops

   music
O coração estava para sair pela boca, junto com a vodka e a comida no meio de toda aquela alegria. Os pés dela marcavam a pista ao som rápido e sinestésico da música, ou das luzes que saiam do globo; ela já não diferenciava mais. O mundo exterior estava no limiar da consciência. O que existia ali, eram apenas eles. as mãos quentes dele passavam pelo rosto dela sem que ele desviasse os olhos, ou perdesse os passos, assim como ela havia ensinado. "Ele aprende rápido" ela pensou. Muito rápido. Eles sempre aprendiam um com o outro. Foi assim desde o primeiro dia. E pensar que já fazia tanto tempo.
   O suor e o calor e o torpor do momento e a dor nas pernas de duas horas seguidas na pista atordoavam os pensamentos que se embaralhavam. Ela sempre soubera que nada era para sempre. ela sempre soubera que tudo acabava, que tudo tinha um fim para começar algo novo. fossem vidas daqueles que se ama, ou o seu seriado favorito. Ela já gastara muito tempo dos seus vinte anos meditando sobre aquilo. Aceitava, entendia, e de certo modo, via uma certa poesia naquilo. Instruíra-se a não se apegar a nada que fosse. Impôs-se um escudo de antipatia por todo apego que fosse, apenas para vê-lo se despedaçar naquela pista, por entre os olhos castanhos que a perfuravam por entre aquele cabelo ondulado. O terno dele estava escuro de suor, mas ele não diminuía o ritmo. E sorria. Sempre sorria, fosse para o que fosse. aquele sorriso franco e idiota que ele usava na cara e fazia o mundo parecer tão mais bonito do que realmente era...
   Aquele maldito, Ela, que sempre fora Destemida, uma lutadora, uma Viking, via-se agora com o mundo de ponta-cabeça por algo que mal sabia descrever. O sol explodia dentro da barriga dela, e o som se perdia por entre as voltas e passos que ambos coordenavam.O calor arrastava-a para ele como uma corrente de mil quilos, como se ela precisasse ser arrastada. Ela ia-se de bom grado guiada pelos braços magros. Era estranho, Porque mesmo em meio aquele prazer que nunca havia experimentado, ela Sentia medo. Sentia medo, por saber que um dia ele iria embora. não dali a uma hora, não dali a uma semana. Mas iria; porque todas as coisas iam-se, nada nunca ficava.E isso de repente tornou-se algo inaceitável. acabar com aquilo, aquilo que ela não sabia nomear, mas que parecia-lhe tão aparente. tão familiar. Familiar como ele, como a presença, o cheiro. o calor que emanava daquele ser que ela sequer levava a sério.
  Eles seguiam deslizando na pista, com os olhos conectados, e ela seguia deslizando entre o medo e o gozo que lutavam dentro da sua barriga. O gosto da vodka na boca dele vinha junto com as luzes rápidas e o som do tecno que embalava os passos. Faziam-na parecer que ia lembrar disso para sempre, porque naquele dia, naquela pista, naquela bebedeira, ela fizera uma descoberta que jamais pensaria chegar a fazer. dali em diante, a vida seria diferente. ela descobrira porque a ideia de perdê-lo parecia tão medonha, tão estranha. ali, enquanto dançavam, ela descobriu que o amava.

sábado, 6 de junho de 2015

Keep breathing (fly away)

Os olhos dela eram um sol castanho sobre aquela face marcada.
   O sol da tarde sobre o quarto escuro dava-lhes um toque líquido de âmbar, aquele toque que ele sempre procurava nas cores dos ermos que visitava dentro e fora de si. A cama se bagunçava e se remexia como um corpo vivo ao ritmo que eles bailavam em cima dela, pronta para voar pelo quarto, como um animal vivo e às pressas.os corpos de ambos in-distinguiam-se, como um polvo de muitos braços e pernas e sorrizos, todo a rasgar-se e acariciar-se, como se o mundo estivesse para acabar ali.o bronze dos cabelos dela emprestavam a luz que o quarto não tinha, aquecendo as paredes frias com aquele coração quente. Os olhos castanhos dele estavam fechados junto ao corpo esguio. Ele não precisava vê-la, por mais que a apreciasse. Ambos sabiam onde e como estavam, pois se amavam e se conheciam. E eram como espelho um para o outro. Um caleidoscópio de ruivos e castanhos, e cascas das árvores que eram, e pêlos e escamas dos monstros que guardavam debaixo da cama.
Eram livres no confinamento daquelas quatro paredes, pois suas mentes voavam por sobre os corpos, a lamber-se e beber-se um do outro, como era de seu costume. O cheiro de flor que brotava da alma dela atraía o pássaro que ele era, e as asas de pássaro encantavam aquela flor de timidez e rubridez que era parte dela. E assim eles seguiam amando-se. Sob aquela radiância que escapava deles, como dois sóis a atrair-se pela gravidade. Gravidade esta que não deixava-lhes separarem-se, orbitando juntos pelo firmamento do cotidiano de concreto cinza.E duplicavam-se as alegrias, e dividiam-se as tristezas, e mesmo em tempos de tempestade, mesmo quando queimavam-se um ao outro pelas intempéries, o calor era maior. E sempre seguiam-se e amavam-se. E isso tudo era bom. Tão bom.

Mas futuro põe à prova a gravidade sob o fio de uma lâmina. E eles desgarram-se a girar pelo espaço. Mas não mais frios não mais com medo, não mais sozinhos. Pois o Calor compartilhado não se espalha. E cada um mantém consigo o sol do outro(que é o outro) dento de si. E ela sabe que sob suas asas ela sempre possui refúgio. E ele segue com o perfume impresso no bico, grato por ter sido posto no caminho daquela flor, pois ela deu a ele o vislumbre do sol, como ele achou que já não existia, e segue de cabeça erguida, asas abertas Pois ele voa sabendo que com tudo de bom que ele carrega consigo, ele vai continuar respirando.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Trap (Ambush Part II)

  A luz trêmula passava apressada por entre os liames do beco, como que tentando fugir das garras do escuro. O álcool exalado com o suor dela invadia suas narinas de maneira irritante, junto com o cigarro, a urina, e todo o resto da sujeira que jazia naquela viela negra. O barulho desconcertante dos braços dela se misturava aos risos escandalosos, e culminavam numa sinfonia dissonante que começavam a tirar-lhe a calma. Estava na verdade, irritado com tudo aquilo; Os sons, os cheiros, a visão imunda daquele ambiente...Tudo que ele sentia era fúria, raiva, e sangue borbulhante. Era; naquele momento, um punhado oscilante de dentes rangendo e músculos retesados, esperando um alvo para cravar as presas e descarregar tudo o que tinha (pobre dela)
  A mão trôpega guiava-o para longe da luz trouxe-o de volta de volta da sua viagem interna sobre seus ódios e mazelas, apenas para aguçá-los(mais um prego no caixão). Ele no entanto, se refreava. As bocas e mãos começam a explorar os caminhos dos corpos em meio à escuridão fria da madrugada. a fricção das roupas contrastavam com a luta interna que se travava nele. Suas bestas internas rasgavam-se pelo direito de ditar-lhe o que fazer.
  Uma parte de si ansiava por aquilo. Ele tinha fome de carne. De calor. de toque. E apesar do desconforto de tantos sentidos, aprazia-lhe (ainda que momentaneamente) ter aquele ser entre as pernas, a matar-lhe as vontades. O gosto do sangue, e suor e álcool inundavam-lhe a boca e o pensamento aquela noite, e era por aquilo que ela tinha saído aquela noite. Era pela carne, e o gozo, e a lascívia, e a lástima que sentia do íntimo de seu corpo. E era apenas por aquilo, que as outras feras ainda se mantinham em suas coleiras.
   Ele sentiu a fera e a fome adormecerem junto com o torpor do corpo satisfeitos com os desejos primários. Inundados com o gozo recente. Agora, vinha a diversão. As feras dentro de si começavam a acordar, e sussurrar-lhe ao ouvido.Subitamente, os sentidos começaram a voltar-lhe. Ele força um sorriso para ela, que responde igualmente, com um olhar entorpecido de dopamina e cachaça fluindo pelo sangue. E é disso que ele começa a sentir sede. Sangue. A fúria bate à porta, e ele se vê com vontade de acabar com aquilo ali mesmo. Rasgá-la de cima a baixo. retalhá-la tanto quanto podia. quebrar osso. talhar carne. cortar tendão. Ver o sangue correndo rubro pela sarjeta seca.
   Ele queria Tudo. Tudo de uma vez, para que pudesse acabar com tudo. Queria apenas o fim. O dele, o desse ódio que o consumia, que consumia tudo e todos. O fim desse mundo incômodo que era tão estranho aos seus aguçados sentidos, Queria que tudo acabasse ali. Mas já que não era possível, talvez acabar apenas com ela já fosse um começo...
   Entrou em ação algo mais profundo. Mais intrínseco. Mais cruel. A vontade do caçador impelia-o a acalmar-se. A se segurar. A esperar pelo momento certo. "Nunca volte de mãos vazias". As mãos começaram a acomodar-se pelo corpo dela, que despercebidamente, deixava-se envolver. Mãos, pernas, braços. Todos os membros iam lentamente posicionando-se para a ação final. O rush acontecera como de costume. Ela notara o que acontecia quando era tarde demais(pobre presa indefesa). " Pavor em si, não é um estado estático, mas um estado dinâmico. É quando a alegria desmancha-se em desespero". Ele deleitava-se com as fúteis tentativas da presa de se libertar. O medo inundando os seus olhos...
-Oh, Glorioso! pensou ele. Era esse momento, que fazia tudo valera a pena. O resto, era resto.
Ele apreciou os esforços dela por um último momento, e deu o puxão brusco no pescoço que fez a vida deixar aquele corpo. o estalo das vértebras se partindo veio acompanhado do estado de moleza sacudinte do cadáver que agora ali jazia.
  Ele pousou o corpo sentado gentilmente junto à parede do beco, e caminhou até a rua principal.

                                                                                               A noite estava apenas começando...

BlackHeart


   -Sua fraqueza custou as vidas deles naquele campo! morreram todos, e para quê ?
perguntou o velho. As palavras saíam grossas e amargas, testando toda a paciência que eu tinha aos dezesseis anos de idade...
-Era um exercício apenas !Ninguém morreu! Estávamos encurralados! que podia eu fazer ?
Gritei. Os olhos negros do velho caíram sobre mim, pesados como uma bola de chumbo. Senti vergonha,baixei a cabeça. O que ele falou em seguida, eu mantenho comigo ainda hoje...
 -Eu digo a vocês agora: É no coração e na mente dos homens que todas as batalhas são travadas e vencidas. Das pequenas às grandes coisas, É no encontrar dos olhos, e das almas, que tudo acontece e se decide.Não apenas no campo de batalha, mas em tudo que fazemos. Nós lutamos para vir a este mundo,  e lutamos até o momento em que o deixamos. A vida é uma batalha, e as pessoas interagem lutando! Então, da próxima vez que te empregardes em algo, por menor que seja, lembrai de dar tudo de vós, pois Enquanto puderes lutar, ainda podes vencer!

   -Como poderia haver vitória? fomos sobrepujados! Os olhos dele voltaram-se novamente para mim.
-O que é vitória? perguntou-me.
-É sobrepujar o oponente. respondi.
-Olha para mim, e responde: O que é ser sobrepujado ? pensei na pergunta, baixei novamente a cabeça.
-Num campo de batalha, podem tirar-lhes o cavalo, a espada, a couraça, os membros, e até mesmo a vida. Mas a vitória não é algo que podem tirar de vós. A vitória é algo que é concedido. Vencer um homem verdadeiramente, significa enfrentar a sua vontade, e despedaçá-la! é dobrar a alma dele diante da tua ! é quebrar seu espírito! Vocês perderam de fato naquela colina, porque Diante do inimigo, vocês vacilaram.
-Entendam;vencer,é sustentar-se diante da maré. é permanecer de pé dia após dia contra todas as batalhas que a vida vos dá. Usem isso como escudo, e jamais serão derrotados. Sede vós como o aço sob o martelo! que não se quebra, mas se purifica a cada pancada. Refinem suas vontades com as pequenas tarefas, e terão força diante das grandes! Fazei isso diariamente, e mesmo que percam, jamais serão derrotados!
  -Encontrarás algo dentro de ti que ninguém jamais poderá tirar. Algo que vai além desta máquina pulsante que nos serve de receptáculo. Porque vocês se darão conta de que não são esta rude matéria, mas seres de luz imutável.Se encontrarão sozinhos e em frente a vós rugirão raivosamente cinco mil soldados. Cairão mil à esquerda, dez mil à direita, e vocês não serão derrotados. Eles tentarão mais não vão conseguir dobrar a vós, POQUE ELES NÃO TERÃO PODER!

  Foi a partir deste momento, a partir destas palavras, que eu senti algo mudar em mim. Foi quando eu comecei a enxergar as coisas de uma maneira diferente. As palavras do velho ecoaram em mim de uma maneira que eu não conseguia explicar naquela época...Eu olhava para ele, e já não via mais o velho curvado que me atormentava com lições irritantes.EU VIA UM GIGANTE! Eu via um bastião diante do qual haviam-se quebrado milhares de guerreiros, Tal qual as ondas do mar quebram-se diante das falésias. Eu via um espírito inquebrável que transcendia os limites do corpo que habitava...

                                                                    Eu via aquilo que eu desejava me tornar algum dia.

sábado, 18 de outubro de 2014

Untitled 03

  A brisa fria da noite passou pelos seus braços, como que querendo agarrá-la. Os braços foram instintivamente em volta dos ombros, ao que se repreendeu mentalmente por isso. “Não há necessidade para isso agora...”. O coração palpitava-lhe dentro das costelas, como um pássaro que lutava para se libertar de sua gaiola. “Interessante como a nossa percepção se aguça a essas horas apertadas” pensou ela. Interessante como o mundo parecia tão mais nítido exatamente naquele momento. Talvez fosse o seu corpo, tentando dissuadi-la, distraí-la para que mudasse de ideia. Interessante. “Será que as células do meu corpo sabem o que se passa também? Será que elas também têm medo? O mesmo medo que eu sinto?”
  O medo; esse velho companheiro, era quem havia regido a sua vida toda. Medo da dor; Não da sua, claro. Pois ela achava que essa, era mais do que merecida. Preço justo pelo incômodo de sua existência. Mas medo de causar dor aos outros. Medo do Mundo; Esta nau caótica de loucos insensatos que se talhavam uns aos outros, e se matavam, e se comiam, e se mordiam, e se julgavam todos os dias. Medo se si, e do seu futuro. Medo de não saber o que seria de si, e do que teria que fazer pela frente.

  Ela ergueu-se para o vento frio que vagueava pelo espaço aberto, e primeiro olhou para cima. A lua escondia-se por trás de uma nuvem “Ela não quer que eu a veja”, pensou. A lágrima correu quente pela bochecha direita. Não podia fazer mais nada. Não havia como seguir assim. Doía-lhe tanto... Ela passou as pernas pela grade, e olhou para baixo. A rua estava vazia. Ela soltou calmamente as mãos, dedo por dedo, até que tudo o que lhe sustentava acima da sacada fossem os 5 centímetros de piso abaixo dos seus pés. Com um último arfar, e uma lágrima já atrasada descendo pelo lado esquerdo, ela se inclinou para frente, e caiu. O vento deslizava lhe pelos braços abertos como um fino tecido, como que tentando segurá-la. O medo se fora. Não havia muito para se fazer agora. De olhos fechados, ela foi de encontro ao chão que corria para abraçá-la, e caiu na calçada.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

"Dominar os outros, é ter força. Ter poder, é dominar a si mesmo..."

Você tem a ideia, de que as situações e realidades que formam a sua vida, são simplesmente uma sequência de fatos, aos quais você pode prever,medir, calcular. E a isso, você chama de controle. Isso causa muito pânico, porque você nota que  mesmo vendo e revendo os cálculos, eles não dão certo. As variáveis mudam, dançam, tripudiam dos seus esforços em domá-las e classificá-las nos compartimentos da sua mente confusa. Isso ocorre porque você está tentando calcular o movimento de uma partícula, quando o mundo que gira a sua volta se comporta como uma onda. Ou como uma sequência de ondas. Elas vibram, revibram, e batem umas nas outras. Gerando uma nova série de ondas intermináveis. Ter o controle da maneira como você acha, é algo demais para qualquer ser humano comum e saudável. É demais para qualquer criatura mortal. É simplesmente, demais. Você não pode controlar as ondas, e nem deve. Você deve aprender a surfar com elas. Você deve aprender a moldar o seu movimento de acordo com o movimento do mundo. Você deve aprender a ser a água, e não o cálice.Você deve aprender que desviar, é mais efetivo que aparar o golpe. Você deve aprender a analisar as situações e responder da maneira mais rápida e precisa possível. "Fale devagar, mas pense com rapidez." Ter o controle, não é ter o controle sobre o mundo. é nessa parte que a frase "controle é uma ilusão" é verdade. Ter controle, na parte verdadeira do conceito, é ter controle sobre si mesmo.Quando você aprender que não se deve tentar se prender ao chão quando o tornado passar, mas abrir os braços e planar nas correntes de vento, o mundo à sua volta vai perder essa aparência aterradora de caos desenfreado que tanto te apavora. As coisas vão fazer sentido, e vão parecer lentas, e leves. E você notará como eram pífias as suas tentativas desesperadas de fazer algo que agora, parece totalmente ilógico. É nesse ponto, que o medo deixa de atormentar, e se esvai entre as ondas nas quais você surfa...

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Tide

E no meio da atmosfera, eu flutuo. Leve. Livre. Lúcido. Eu boio, embalado no leve vai-e-vem das ondas que me amparam. Os braços; abertos, abarcam o fluido que me sustenta. E eu penso, e paro. E paro de pensar. E tudo que existe pra mim, é a água, e o inspirar dos meus pulmões. E enquanto minha mente se esvazia, Eu expiro.Calmamente. E me afogo. E a água gentilmente, me abraça. Doce, Quente, como é de seu feitio. Parada. Parado. Parados. Ela, e eu. Juntos. Eu abro os olhos, e juntos vemos o céu estrelado. E a luz treme pela refração dos meus olhos. Lindas estrelas nos miram, curiosas. Vergonhosas. Em silêncio, As bolhas saem. Tremem, e Sobem apressadas. Como um rebanho de pequenas águas vivas. e todo o espaço do éter acima, contrasta com o espaço do azul maternal abaixo, no qual estou imerso. E no contemplar das luzes bailando no escuro, o sábio silêncio me envolve, e eu nada ouço. Nada vejo. Nada penso. Nada sou exceto parte da água que me envolve. E toda a cadeia de pensamentos cessa, e eu ouço o silencio. O real silêncio... Tranquilidade. Harmonia.



terça-feira, 8 de julho de 2014

unleash

"the darkness are,...attractive. Charming,for the ones who don't truly know it .Let yourself run out in rage and blood, passes twice a week through the mind of every alive human. taste the wonderful pleasure that butchery is, is what attract so many minds to darkness. but fear, is what repels them. fear of judgment. fear of dyscontrol. fear of unknown. Fear! is what makes the man good.But Darkness isn't about good or evil. Darkness is about neutrality. about follow your most basic instincts. Is about do what you want, when you want. With whatever you want, without none of these pathetic taints called emotions. is about left behind this sad ghost named moral. is about to be pure. Is about be the animal that you really are, but keeps in the leash named fear..."- Crawler

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Obliterate

 E hoje, eu me aproximo um pouco mais da borda. Um jogo perigoso, jogar com o próprio futuro. Apostar a própria segurança em troca de uma sensação que eu não sei nem mesmo descrever se estou ou não sentindo...Talvez seja por isso. Saber se eu sinto algo ou não. Saber se vai dar vertigem quando eu chegar à beira do abismo e olhar pra baixo(má escolha, amigo. nós dois sabemos que nesse caso, você tem vontade de se jogar. e você já fez isso antes. A diferença é que agora, você não tem nada mais para empurrar como antes...). E o tambor gira, com uma bala a mais a cada dia, e as veias com um litro a menos a cada hora. e o céu com um quilômetro a menos a cada segundo. Eu tenho medo. tenho medo de não ter medo. de não abrir os para-quedas. Tenho medo de não ver(não querer) ver até a hora de acertar o chão. Até a hora de não ter volta.O que eu estou fazendo ? por que eu estou fazendo ? qual o motivo disso ? eu me pergunto e encontro apenas o vazio como resposta. Eu não sei o que fazer para me acordar. Não sei o que fazer para me manter em atividade.Só as lembranças não me parecem fazer efeito. Isso me preocupa.

domingo, 25 de maio de 2014

Inner Worlds

Ver o mundo.

E saber que o que vemos, não pode ser visto. O que sentimos, o que pensamos. Tudo isso, é nada. Não pode ser visto por ninguém. Por mais ninguém, senão por mim. Por que o mundo como vemos, é só nosso. Nosso modo de ver o mundo, de interagir com ele. Nosso mundo. Nossos mundos. Nossos domínios. Nossas cabeças. Cada cabeça, um mundo. E Cada mundo, um oceano de pensamentos. Um orbe único e incopiável. E cada orbe, um reino de fantasias, medos, amores. E cada reino, uma era de vida da terra. E a cada vida; vivemos mil vidas, nas vidas de outros e outras que vivem dentro da nossa mente. Nossas mentes. Mil mentes. Mil luzes. Mil vidas, e mil milhas de distância do corpo que jaz no aqui e agora.
Perder-nos em um turbilhão de portais para outros lugares, enquanto esperamos na fila do banco. Brincar de Alice, e seguir o coelho... E tentar explicar o que existe dentro de nós, e transborda pra fora às outras pessoas. E ouvir um entediante “eu entendo” ou o um pouco mais sincero (e um tanto mais raro) “Eu não entendi”. O que é normal, já que não é pra entender mesmo. Dessa parte eu gosto. Eu gosto de não ser entendido. É o meu mundo. Não é para os outros verem. No máximo, se eu puder, deixo vislumbrarem o quadro borrado que minhas palavras tentam inutilmente rabiscar para elas. Elas deviam saber, não dá pra ver. Assim como eu não posso ver o delas. É o delas, e é o meu. É onde termina o “eu”, e começa o ”outro”. É a divisa entre as nossas almas, já que os corpos não estão realmente separados do resto do mundo (vide textos anteriores). É difícil de explicar. Não é pra explicar, é só pra entender (ou não entender, já que essa é uma divagação minha). É navegar dentro de si, e perder-se, pra depois se achar.

É lindo...

...O que me faz encontrar o sentido da sentido na frase “e Deus fez ao homem, Sua imagem e semelhança”.  Somos máquinas de fazer sonhos, cujas carcaças são pó das estrelas.  Subarashii.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ambush

   E em meio às sombras ele estava esperando. As mandíbulas travadas pela ansiedade. Os músculos se retesavam em resposta aos pequenos ruídos que permeavam o ambiente. ”faz tempo” pensava. Muito tempo. A ansiedade dentro de si crescia conforme as horas passavam. O coração pulsava, num dolorido descompassado, que contrastava com o vácuo na boca do estômago. Fazendo-o sentir-se quase que em uma queda livre. Estava tudo ali. Tudo pronto. Cabia apenas ter paciência. Que árdua tarefa; Todo ele parecia estar prestes a rebentar-se para deixar escapar essa urgência que quase não mais lhe cabia dentro. Até que por fim, a Agonia se foi.
  O som de passos se assomou ao ambiente, seguido por uma leve sombra denunciava a chegada de seu dono. Vindo tão imprudentemente através da passagem de pedra que delimitava o beco, perfume e conhaque baratos invadiram suas narinas, trazendo atrás de si suor, saliva, e sangue. Os membros tremeram. ”Agora é só mais um segundo”. A figura cinzenta e mal equilibrada entrou pelo beco, envolta em um velho paletó surrado. Sapatos de couro e solas duras denunciavam-lhe a posição. Andava devagar, com passos incertos. “Bêbado.” Ele pensou. Como a sombra que era, deu dois passos silenciosos para a direita, pela estreita grade de metal presa sobre a abertura do arco. E em meio a toda a excitação, saltou.
  O vento frio lambeu-lhe o rosto. As mãos caíram-lhe sobre os ombros, direcionando todo o peso para baixo. Acabara-se ali. O resto era diversão.Pouso sobre o monte de carne mole e incerta, que pousou sobre o chão duro e firme. Quebrara-lhe uma ou duas costelas; “Que som delicioso”. Ele pôde sentir os ossos romperem-se sob suas pernas. O Grito; abordado por uma firme mão sobre a boca e o rosto, saiu apenas como um sopro quente de baba sob seus dedos.
  A faca penetrou macia, sob as camadas de tecido, pele, e músculos atordoados. O sangue brotou como uma rosa na camisa de linho suave que havia por baixo do paletó, e espirrou quente em sua face ao remover a faca do lugar. O chão, as pernas, as costelas quebradas. Tudo era brilhantemente, intensamente, maravilhosamente rubro. A vítima se torcia e estrebuchava inutilmente sob seus pés. Seguiu-se outro golpe. E outro,e mais outro. O sangue em seus braços era mais quente e acalentador que qualquer mulher que já tivera na vida. Os ossos, e músculos, e pele, e órgãos, esfacelados. ”Oh, glorioso!”.
“Morreu”. Ele olhou pra cima, e contemplou a noite nublada. A lua e as poucas estrelas que se deixavam ver por entre o véu de nuvens escuras, suas testemunhas. Nada para descrever, além de êxtase. ”Hora de procurar outro.” Ele moveu-se elegantemente pela viela escura, e subiu a parede de quatro metros de altura que havia no fim do beco. Sobre a divisa do muro, ele observou uma pequena figura de vestido anil atravessar a rua com passos apressados. O vento que passava por ali lhe trouxe um cheiro familiar. ”Medo.” Ele desceu calmamente pela parede, para se posicionar sob os arbustos próximos do caminho para o próximo poste de luz. As primeiras necessidades haviam sido satisfeitas. Sem urgência, ele esperou com um sorriso no rosto, sangue na faca, e um punhado de ideias sobre como extrair mais prazer da próxima caçada.

   “E a noite está apenas começando...”

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Body

 Olhe para o seu corpo. Do que você é feito?
Eu sou feito de pele e ossos. De unha e cabelos. De sangue e tripas. De fígado, rins e intestinos. Eu sou feito de coração e pulmões. De Músculo e Tendões. De vísceras e olhos. De hemácia, de neurônio e de membrana.

   De carne, osso, e sangue, eu sou.
Eu sou feito de carbono e Hidrogênio. De Nitrogênio e Oxigênio. De Cálcio Zinco e Boro. De Enxofre e Potássio. De Flúor e Fósforo. De Sódio, Ferro e Magnésio. De Silício, de Zircônio e de Rubídio.

    De Mistura e elemento, eu sou.
Eu sou feito do pó que explodiu das estrelas. Eu sou feito do Fogo, da Água, da Terra, e do Ar. Eu sou feito de Madeira e de Metal. Eu sou feito de Luz e trevas. Eu sou feito da Ordem e do Caos.
  
  De corpo, mente e alma,  eu sou.
Eu sou Feito de Medo, Raiva e Amor. De alegria e de rancor. De Gozo e de dor. De Coragem e de pavor. Tudo ao meu redor é feito meu. 

   E de tudo ao meu redor, eu sou.
Eu sou a Luz das estrelas. Eu sou o vazio do abismo. Eu Sou o maior dos filhos de minha mãe. E de todos os filhos que nascem desta terra, nenhum nasce mais fraco do que eu.Eu sou uma consciência etérea, que anima um amontoado de partículas recicladas e rearranjadas, feitas do pó estelar.
  
  Uma fagulha da criação, eu sou.
Eu sou a imagem, e a semelhança. Eu sou o oposto, e a diferença. Eu sou a parte que completa o todo, e o todo que reúne as partes. Eu sou a mais Dantesca e a mais reles das criaturas deste mundo. Muito prazer...
                                                                                                              
                                                                                                                                 

                                                                                                                                    Um homem, eu sou.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Faith

E em mais um dia que chega ao seu desfecho, eu me vejo em uma casa que não é minha, sem nenhuma perspectiva além do cansaço que se apoia pesadamente em minhas costas. Cansaço que me faz lembrar de como os últimos dias foram cinzas e ranzinzas. Sem cor, sem viço, sem nenhuma expectativa de que essa merda pode ter algo de bom. Mas mesmo assim, quando o dia chega, eu me vejo pegando os meus retalhos e fazendo aquilo que faço tudo de novo, e de Novo. Por quê? Por que fazer sempre o mesmo e esperar um resultado diferente? Por que se forçar a aturar toda essa merda quando sucumbir parece tão mais simples? Tão mais doce? Tão mais fácil? Eu gostaria de saber essa resposta. A verdade é que eu lembro os momentos ínfimos que eu tive e tenho de vez em quando. Aquelas mínimas horas de oxigênio que nos vibram de dentro pra fora, e nos enchem de vida e gozo, ainda que só por um momento. É esse ópio de luz solar ou a esperança desse ópio, que nos faz mover-nos mais um pouco a cada dia. É a esperança por saber (nas palavras do mestre) de que há algo de bom nesse mundo, e que vale a pena passar pra ver. É saber que a chuva não cai só sobre mim, e que o sol que brilha por trás das nuvens, vai secar tudo, quando a dor for embora.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Saudade

É aquele buraco de minhoca que se abre no meio do seu peito quando você menos espera.
é aquela vontade de pegar esse buraco e voltar no tempo.
Voltar  praquele lugar onde você tanto riu, e sorriu, e fodeu, e se fodeu, e bebeu, e dormiu, e sonhou... E Sonhou.
sonhou que aquilo bem que podia não acabar nunca,
que bem que todos os dias podiam ter aqueles belos tons púrpuras e róseos,
e que todas as bebidas podiam ser vodka,
 e que todos os amigos podiam morar na porta ao lado,
 e que todos os finais de semana eram pra sair.
E que essas vontades não iriam emergir das suas tripas no meio dos mais fatídicos e cinzentos dias, quando toda e qualquer esperança de ter ao menos um milésimo de momento fica na vontade e no suspiro.
quando todas as dívidas nos sufocam e nos fazem esquecer-nos do que é se sentir rico depois de umas três ou quatro dozes.
quando você queria poder ter algo como aquilo mais uma vez, só mais uma...mas que a oportunidade está a muitos milímetros dos seus dedos...
e a gravidade nos puxa de volta para o cão chão.
E que a merda do cotidiano nos mata a coragem, e os galhos do comodismo nos sufocam pra toda e qualquer proposta de ousadia.
Dias como esses, que passam e não voltam mais...

porra.

domingo, 20 de outubro de 2013

Eru Ilúvatar

   Quando eu morrer, o meu corpo irá se decompor, e será usado como alimento por uma infinidade de seres, como as formigas que se ocupam em devorar esta pequena mariposa que jaz ao meu lado."Comer vidas, e viver."É assim que a roda funciona. Mesmo ao comer plantas, é necessário sacrificar a vida existente nelas. E ao fazer isso, os átomos de carbono, fósforo, hidrogênio,sódio, ferro e tantos outros elementos ; que outrora formavam as estruturas delas, passam a fazer parte das minhas estruturas. E que com certeza já foram parte das estruturas de uma incontável gama de seres e coisas desde o início dos tempos.
   Átomos  que não diferem em coisa alguma uns dos outros, além do número de prótons, nêutrons e elétrons.Os mesmo elementos, com os mesmos prótons, nêutrons e elétrons que formam as estrelas, formam o nosso corpo,formaram outrora os corpos dos dinossauros, e formarão outros corpos após a nossa morte.
Um átomo comum, apresenta mais espaço vazio em sua estrutura do que  preenchimento.Solidez e divisão. meras ilusões, criadas por mentes aprisionadas.não há distinção real entre eu, você, ou esta folha de papel que está em minha mão agora. "We're the same, and all is one."Somos consciências etéreas,controlando nuvens de partículas recicladas e constantemente rearranjadas num infinito e contínuo ciclo de viver e morrer.Tomando lugar nesta roda pelo tempo que podemos,e saindo dela para outro ser poder entrar.
   É tudo um rio.Um fluxo.É tudo uma dança.Tudo dança. Tudo e todos dançam. Todos os galhos de uma mesma árvore."Yggdrassil".Todos os seres, Todas as coisas, são na verdade um único ser.Uma única coisa.O grande pai,que flui à nossa volta, e através de nós.De todos nós.Quanto mais me aprofundo neste pensamento, mais profundo ele me parece. mais lógica eu encontro nele. E mais a trindade "Onipotente,Onipresente,Onisciente" parece verdade para mim.

...E mais ainda vejo sentido,quando leio a passagem que diz: "O senhor Deus formou,pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro da vida, e o homem se tornou um ser vivente."


23/05/2013